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Responda rápido: o que vem à sua cabeça quando você lê “alocação de ativos”? Harry Markowitz, acertei? Não é sem razão. O homem é um dos pais da Moderna Teoria de Finanças, a lenda por trás pela Teoria do Portfólio. É o nome dele que carimba uma das técnicas mais usadas do mercado financeiro no mundo inteiro para montar carteiras de investimento que tenham a melhor relação possível entre risco e retorno.

Markowitz postula que, para cada nível de risco, há uma carteira ótima, que domina as demais carteiras. É a chamada “carteira racional”.

Normalmente, os questionários que os investidores respondem quando abrem conta em uma corretora coletam dados que alimentarão um modelo derivado da Teoria do Portfólio. A partir desses dados, o modelo dará origem à carteira ideal para aquele investidor.

Tem uma questão crucial, contudo, que é ignorada pela maioria dos questionários de perfil de investidor. Além disso, não é contemplada na montagem da carteira racional de Markowitz: os aspectos comportamentais do investidor.

Aspectos comportamentais do investidor

Os questionários de risco, de modo geral, ignoram que todos nós somos sujeitos a vieses comportamentais. Erramos com frequência nas nossas decisões de investimento, seja por falhas cognitivas, seja por termos sido enviesados por nossas emoções.

O psicólogo israelense Daniel Kahneman, considerado pai das Finanças Comportamentais, certa vez observou que os questionários de perfil, em grande parte dos casos, são aplicados apenas uma vez, no início do relacionamento do cliente com a instituição.

Mas alguns experimentos mostraram que esses questionários, se aplicados várias vezes a uma mesma pessoa, levam a conclusões totalmente diferentes. Portanto, tudo depende do estado emocional e do momento de vida do investidor no momento de responder às perguntas.

A consultoria financeira, que inclui a montagem de carteiras de investimento, é uma atividade com o objetivo de guiar os investidores a decisões que atendam aos seus melhores interesses.

O problema, segundo Kahneman, é que esses interesses são sujeitos a vieses (erros de raciocínio) e heurísticas (atalhos mentais que, com frequência, nos levam à decisão errada). Esses interesses, na visão dele, provavelmente não são atendidos pela “carteira racional” de Markowitz.

Um problema de aderência

Quando o consultor monta a carteira racional para um cliente, é comum que o investidor tenha problemas ao longo da jornada para se manter aderente à proposta de alocação de ativos.

Isso acontece, provavelmente, porque ficaram de fora alguns aspectos comportamentais. Com o passar do tempo, esses vieses e heurísticas se manifestam, causando o desconforto que leva o investidor ao impulso de “trocar os pneus com o carro em movimento”.

Para o financista norte-americano Michal Pompian, especialista em alocação de ativos e Finanças Comportamentais, a melhor alocação possível deve ser um programa de longo prazo com um desempenho levemente inferior ao da carteira racional, mas ao qual o cliente poderá aderir confortavelmente.

Moderar e adaptar 

De acordo com Pompian, o consultor de investimentos deve agir em duas frentes ao montar uma carteira para os clientes:

  • Moderar

Reagir, tentando neutralizar os vieses comportamentais do investidor, para que ele se adapte à alocação de ativos.

  • Adaptar

Alterar a alocação de ativos para que os clientes enviesados se sintam mais confortáveis com suas carteiras.

 

Essas duas atitudes podem ser adotadas ao mesmo tempo, de forma combinada, dependendo da situação do investidor quanto a duas variáveis: volume de patrimônio e tipo de vieses aos quais ele está sujeito.

Volume de Patrimônio

  • Moderar vieses em clientes de menor patrimônio.
  • Adaptar aos vieses dos clientes com maior patrimônio.

Tipo de vieses

  • Moderar vieses cognitivos
  • Adaptar a vieses emocionais

O diagrama abaixo resume as combinações possíveis das ações de moderar e adaptar:

 

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Eduardo Tavares

Sou sócio-fundador do Mundo Financeiro, especialista em Design Instrucional. Além disso, sou professor de Finanças na FIA Business School. Fiz graduação em jornalismo na ECA-USP, e pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking na FIA. Como jornalista, trabalhei com cobertura de Finanças e Economia nos sites Exame.com, Infomoney e no blog de Finanças do Ângelo Pavini.

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