Muitas pessoas, inclusive aquelas que trabalham no mercado financeiro, têm dificuldade de entender como a rentabilidade dos Fundos de Investimento funciona.

E você, investe em fundos?

Qual tipo?

Sabe qual a Taxa de Administração cobrada?

Se você não tem a resposta para alguma dessas perguntas, aqui estão alguns conceitos importantes para investir com consciência.

De acordo com os dados de julho de 2019 da ANBIMA, existem 17.411.573 de investidores (pessoas físicas e jurídicas), 18.133 fundos, sendo 10.743 Fundos de Investimento (FI) e 7.390 Fundos de Investimento em Cotas (FICs).

Tudo isso soma um patrimônio de R$ 5,09 trilhões de reais, dos quais 56,4%, R$ 2,87 trilhões de reais em FIC’s.

Para comparar, o Tesouro Direto possui 4 milhões de investidores cadastrados, mas somente 950 mil ativos, que detém de um total de 57,6 bilhões de reais. A Poupança, o investimento mais comum, totaliza 793 bilhões de reais e 17 milhões de correntistas.

fundos de investimento

Com a queda da taxa SELIC (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) à 5,40% (SELIC Over) e a perspectiva de ser reduzida ainda mais no decorrer dos próximos meses (projeção de 4,75% para o final de 2019), existem 3 fatores que devemos atentar quando aplicamos em Fundos de Investimento:

1. Taxa de Administração

2. Tipo de fundo: Fundo de Investimento (FI) ou Fundo em Cotas de FI (FIC) e

3. Tributação

 

1. Taxa de Administração 

Nada mais é do que um valor pago ao administrador pela gestão do capital do investidor. 

Ok, mas como isso funciona no dia a dia? 

Se usarmos a taxa bruta do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) de 5,40% ao ano (CDI over), não comporta pagar uma Taxa de Administração alta, visto que nesse caso o investidor estará “pagando” para alguém tomar conta dos seus recursos.

Veja o seguinte exemplo:

 

Taxa CDI                                             5,40 % a.a.

Imposto de Renda  (15%)              – 0,81 % a.a. 

Inflação projetada                         – 3,45 % a.a. 

Rentabilidade líquida                     1,14% a.a. 

 

A diferença na taxa líquida fica ainda maior por causa das alíquotas do Imposto de Renda.

Fundos de Curto Prazo (carteira de ativos com prazo médio inferior ou igual a 365 dias) têm como menor alíquota 20% sobre o rendimento. Já para os Fundos de Longo Prazo, a alíquota cai para 15%

Só que a a taxa de rentabilidade divulgada é sempre taxa bruta, ou seja, antes do IR. Isso significa que se a taxa de Administração for superior a 1,15% ao ano, mesmo no caso dos Fundos de Longo Prazo, estaremos no vermelho

O pior é que pouquíssimos Fundos de Investimento destinados a investidores de varejo cobram taxas inferiores a 1,15% ao ano. Existem fundos de renda fixa que praticam taxas de administração superiores a 4% ao ano.

Para você ter uma ideia, essa tabela representa o aumento da Taxa de Administração (média) nos últimos anos. Mesmo com o aumento da concorrência, ela não acompanhou a queda da taxa de juros.

 

Taxa de Administração Renda Fixa  Multimercado Ações
Dezembro 2010 1,36% ao ano 1,86 % ao ano 2,20 % ao ano
Dezembro 2015 1,07% ao ano 1,85 % ao ano 2,17 % ao ano
Dezembro 2018 0,99% ao ano 1,84 % ao ano 2,09 % ao ano
Junho 2019 1,01% ao ano 1,83 % ao ano 2,16 % ao ano

 

 

 

 

Anbima

 

Em 2016 as taxas de administração consumiam, em média, 13% da rentabilidade dos fundos. No primeiro trimestre de 2019, chegam a quase 20%.

Então, quando for investir em um fundo, preste atenção na Taxa de Administração, e faça as contas com cuidado para não ter um rendimento negativo!

 

2 e 3 Tipos de Fundos de Investimento e Tributação

O maior problema do FIC é que o investidor tem que pagar duas taxas de administração, uma do FIC e outra do fundo no qual o FIC aplica, que nunca é visível porque está deduzida do valor da cota a ser repassada ao FIC.

Um FIC de Renda Fixa, com rentabilidade igual a 100% do CDI, mas com Taxa de Administração a partir de 2% ao ano rende menos que a poupança.

E quem investe em Fundo de Investimento?

A boa notícia é que estão surgindo cada vez mais Fundos de Renda Fixa que não cobram Taxa de Administração. Os fundos lastreados em títulos públicos, tais como os do BTG Pactual Digital Tesouro SELIC Simples FI RF (aplicação mínima de R$ 500,00 e movimentação mínima de R$ 100,00) e o Fundo ÓRAMA DI (aplicação e movimentação mínima de R$ 100,00) são exemplos de fundos que não cobram essas taxas.

Além desses fundos, existem os ETF’s de Renda Fixa, negociados na Bolsa de Valores.

Os fundos lastreados em Títulos do Tesouro Nacional, mesmo sem taxas de administração, estão sujeitos a três fatores que podem afetar a sua rentabilidade:

  1. A incidência de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para aplicações em prazos menores que 30 dias.
  2. A tabela regressiva de impostos de renda que varia entre 22,50% e 15% conforme o prazo de permanência do investimento. Quanto mais tempo aplicado, menos alíquota. 
  3. A incidência dos come-cotas, o imposto de 15% ou 20% cobrado semestralmente no último dia útil de maio e novembro sobre a rentabilidade acumulada. 

Já os ETF’s de Renda Fixa são fundos que replicam carteiras de renda fixa, tais como o IMA-B 11, cujo patrimônio é composto por NTN-B Principal (Títulos do Tesouro Nacional atrelados ao IPCA). Veja as características:

  1. Patrimônio Líquido do Fundo de R$ 2 bilhões
  2. Prazo médio da carteira (duration) de 7,4 anos 
  3. NTN-Bs com 13 vencimentos entre 2020 e 2050
  4. Taxa de Administração de 0,25% ao ano
  5. Valor mínimo igual a 1 cota, em torno de R$ 75,00

Mesmo negociados em Bolsa de Valores, os custos de negociação são irrisórios (cerca de 0,0325% do valor financeiro), e compensados por três fatores

  1. ETF’s não estão sujeitos a IOF para aplicações de menos de 30 dias
  2. ETF’s não estão sujeitos a aplicação do come-cotas semestral
  3. A alíquota de impostos de renda será sempre de 15%

Existe ainda o FIXA 11ETF de Renda Fixa da Mirae Asset, cuja cota é negociada em bolsa, e seu valor é de aproximadamente R$ 12,10

O sucesso dos ETF´s de Renda Fixa está tão sedimentado que o Itaú Unibanco prepara o lançamento de 2 novos fundos, vinculados também à índices divulgados pela ANBIMA.   

Um será o IB5M11, que segue os títulos públicos vinculados a inflação, as NTN-Bs com prazo superior a 5 anos.

Então, na hora de escolher o fundo, leve em consideração a qualidade do gestor e o risco que ele corre. Lembre-se de que quanto mais riscos, há chances maiores de ganho, mas também maior potencial de perda

P.S.: Uma forma de aumentar a rentabilidade para os investidores, em fundos de Investimento, seria uma maior pressão sobre os administradores para que reduzam as taxas de administração. 

Também, um pleito do setor junto à Receita Federal para que o come-cotas seja cobrado anualmente, em novembro, o que aumentaria a rentabilidade para os cotistas, reduziria custo para os administradores e não impactaria o total de IR recolhido no ano, somente o fluxo de caixa dos cofres públicos. 

Claudio Juchem

 Claudio Juchem

Ao longo de sua carreira no Mercado Financeiro, Claudio Juchem atuou durante 32 anos nas principais instituições financeiras – multinacionais e nacionais – do país, em cargos de Diretor e Vice-Presidente. Além disso, é instrutor de cursos a mais de 25 anos. 

Atualmente, é professor no MBA de Tributação de Mercados Financeiros e de Capitais na FIA Business School e em cursos abertos no INFI-Febraban e na ABBC. 

Também leciona no curso de Fundos de Investimento no Ibmec/Infomoney e é um dos professores no Preparatório CFP® no Mundo Financeiro. Ademais, é fundador do CSJ Educação Financeira.

 

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