Um estudo feito pelo FPSB (Financial Planning Standards Board), órgão responsável pela certificação CFP® no mundo, mostra que os planejadores financeiros estão otimistas com o crescimento das fintechs no cenário financeiro mundial, mas veem algumas ameaças. Dentre elas, a principal é a redução das remunerações do planejador.

A era das fintechs

O FPSB ouviu 1.700 planejadores financeiros CFP®de 29 países. O assunto principal era o surgimento de startups do setor de tecnologia, as chamadas fintechs. São empresas com modelos de negócio rapidamente escaláveis, com taxas de crescimento vertiginosas e serviços oferecidos usando alta tecnologia.

Muitas dessas fintechs no mundo todo têm surgido com a proposta de automatizar o planejamento financeiro para os clientes.

Mas como?

Por meio de questionários e com a ajuda de algoritmos, os aplicativos fazem a análise do perfil do investidor e montam uma carteira ideal para atender aos objetivos do cliente.

Boa parte dos planejadores financeiros ouvidos pelo FPSB vê de forma positiva a chegada das fintechs e seus “robôs”. Segundo a pesquisa, os profissionais enxergam nessa invasão tecnológica a oportunidade de trabalhar com um número muito maior de clientes, alcançando uma parcela hoje ainda pouco atendida, que é a de investidores mais jovens, com menor nível de renda e patrimônio.

Mas será que todos pensam assim?

Contudo, há profissionais que veem nessa abordagem “de massa” a origem dos principais problemas.

“Ela deve levar a margens menores e fazer com que as práticas de consultoria financeira sejam menos rentáveis”, diz o relatório.

Cliente em primeiro lugar

À medida que os bots* se desenvolvem, diz a pesquisa, os planejadores financeiros terão de se adaptar às novas tecnologias. A principal tarefa será a de identificar quais aplicativos e serviços serão capazes de atender da melhor forma possível os interesses dos clientes.

Para os profissionais entrevistados, as fintechs ajudarão nas práticas de planejamento financeiro dando maior eficiência, precisão e transparência na relação com os clientes.

Outro ponto positivo levantado pelos planejadores é que os aplicativos podem ser uma maneira de reduzir os vieses cognitivos na escolha de produtos, bem como os conflitos de interesses na recomendação aos clientes.

“Os planejadores financeiros sugerem que as fintechs podem eliminar a emoção do processo de tomada de decisão, tanto para o consultor quanto para o cliente, fazendo um trabalho melhor de fornecer recomendações imparciais, que atendam aos interesses dos clientes da melhor maneira”, afirma o estudo.

 

* Termo que se tornou comum para descrever sistemas de inteligência artificial para atendimento a clientes


Eduardo Tavares: Especialista em Finanças Corporativas e Investment Banking pela FIA Business School e sócio-fundador do Mundo Financeiro. Além disso, professor de Finanças para cursos de Pós-graduação e MBA na FIA Business School.

Eduardo Tavares

Sou sócio-fundador do Mundo Financeiro, especialista em Design Instrucional. Além disso, sou professor de Finanças na FIA Business School. Fiz graduação em jornalismo na ECA-USP, e pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking na FIA. Como jornalista, trabalhei com cobertura de Finanças e Economia nos sites Exame.com, Infomoney e no blog de Finanças do Ângelo Pavini.

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Eduardo Tavares

Sou sócio-fundador do Mundo Financeiro, especialista em Design Instrucional. Além disso, sou professor de Finanças na FIA Business School. Fiz graduação em jornalismo na ECA-USP, e pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking na FIA. Como jornalista, trabalhei com cobertura de Finanças e Economia nos sites Exame.com, Infomoney e no blog de Finanças do Ângelo Pavini.