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A sigla da vez é ESG! Mas afinal, o que significa e como tem impactado o mercado?

O ano de 2020 no mercado financeiro foi marcado, principalmente, pela pandemia e por seus impactos econômicos e sociais. Mas, mesmo em meio a todo esse cenário, uma sigla ganhou enorme espaço no mundo dos investimentos!

Investidores, analistas, gestores e demais players do mercado passaram a voltar suas atenções para o ESG: Environmental, Social and Governance. Essa sigla, que é traduzida para o português como Ambiental, Social e Governança, consiste em uma série de critérios de análise de práticas sustentáveis adotadas (ou não) pelas empresas.

ESG: o que essa sigla significa na prática?

Ao contrário do que muita gente pensa, os critérios propostos pelo ESG vão muito além apenas de boas práticas ambientais. A sigla se fundamenta em 3 pilares, sendo eles:

  • Environmental (Ambiental)

Esse pilar considera questões como a gestão de resíduos, a utilização de recursos naturais, as emissões de gases poluentes, a eficiência energética, entre outros pontos.

  • Social

Esse pilar avalia condições e ambiente de trabalho, relações com investidores e fornecedores. Assim como a atuação em programas e em práticas sociais, respeito, direitos humanos, inclusão e diversidade.

  • Governance (Governança)

Esse pilar preza pela transparência nas decisões, independência do conselho e diversidade na composição da administração. Além disso, a relação com o governo, o engajamento em medidas de combate à fraude e corrupção, entre outros

Por que essa sigla vem ganhando tanta força?

Com o avanço da pandemia e com o aumento da preocupação com outras questões socioeconômicas e ambientais, o tema, que já possuía grande relevância nos mercados europeus e norte-americano, passou a ganhar cada vez mais espaço aqui no Brasil também.

Dessa forma, em um mercado que vem crescendo a cada dia, se torna cada vez mais importante a busca por empresas que prezam pela transparência, pelas boas práticas e pela sustentabilidade no longo prazo.

E se você acredita que empresas sustentáveis podem não ser tão lucrativas, saiba que está enganado!

Estudos recentes mostram que empresas que adotam melhores práticas de governança, de responsabilidade social e de gestão de recursos desfrutam também de maior lucratividade. Além disso, são as que possuem maior capacidade de se adequar às novas tendências e às demandas do mercado.

Como o ESG tem mudado o mercado?

Com o aumento da preocupação com o tema, as próprias instituições financeiras começaram a olhar para o assunto com maior atenção. Dessa forma, começaram a utilizar os critérios de ESG em suas análises, escolhas de ativos e, até mesmo, lançamentos de novos produtos atrelados à sigla.

Então, além dos tradicionais critérios econômicos e financeiros adotados por gestores e analistas, notamos uma maior preocupação também com as questões ambientais, sociais e de governança na tomada de decisão.

Prova disso é que gestores de várias instituições do mercado apontam que se antes o assunto ESG era pauta secundária na análise dos ativos, hoje passou a ser o ponto de partida e critério excludente para análise de uma empresa.

ESG no mercado brasileiro

Atualmente, possuímos no mercado brasileiro uma boa variedade de fundos que leva em consideração os critérios de ESG para a escolha das empresas que compõe suas carteiras. Inclusive, a própria B3, em parceria com a S&P, lançou no ano passado o índice S&P/B3 Brasil ESG, composto por empresas brasileiras aderentes às melhores práticas dispostas pela sigla.

Com um mercado em plena transformação – tanto pelo lado dos investidores quanto pelas empresas – e uma regulação que tem se tornado cada vez mais rígida dentro dos temas, concluímos que o mercado de ESG tenderá crescer cada vez mais e que as mudanças trazidas pela sigla definitivamente vieram para ficar.

Lucas Cardarelli

Lucas CardarelliGraduado em Economia pela Unesp. Certificado CEA e CFP®. Atua há 5 anos no mercado financeiro com experiência nas áreas de assessoria de investimentos, renda variável e produtos estruturados. Atualmente trabalha como operador de renda variável na XP Investimentos.

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